domingo, 11 de setembro de 2011


Breve retrato  da geração mimeográfo que teve Chacal como um dos seus poetas mais representativos:

Primeiro eu quero falar de amor

meu amor se esparrama na grama
meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
meu amor deita e rola no planeta




BERMUDA LARGA


MUITOS LUTAM POR UMA CAUSA JUSTA

EU PREFIRO UMA BERMUDA LARGA

SÓ QUERO O QUE NÃO ME ENCHA O SACO

LUTO PELAS PEDRAS FORA DO SAPATO


POETA


O HOMEM NÃO PODE SER POETA.
MAS É.
É PRECISO TER A ARROGÂNCIA
E A HUMILDADE NECESSÁRIA
PARA SER.



PAPAGAIO


ESTRANHO PODER O DO POETA,
ESCOLHE ENTRE QUASE E CAIS
QUAIS PALAVRAS LHE CONVÊM.
DEPOIS AS EMPILHA PAPAGAIO
E AS SOLTA NO CÉU DO PAPEL.



PAPO DE ÍNDIO


VEIU UNS ÔMI DE SAIA PRETA

CHEIU DI CAXINHA E PÓ BRANCO

QUI ELES DISSERUM QUI CHAMAVA AÇUCRÍ.

AÍ ELES FALARUM E NÓS FECHAMU A CARA.

DEPOIS ELES ARREPETIRUM E NÓS FECHAMU O CORPO.

AÍ ELES INSISTIRUM E NÓS COMEMU ELES.



ROSA VERMELHA - primeira poesia premiada

A rosa se faz
bonita
se banha no orvalho
delira na alquimia do vento
para timidamente
despir-se aos olhos
da lua
que ja nua
apenas espera
e se desespera
e se exalta cheia de sonhos.

Lúcia Helena Zorzenon (Araras-SP)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Estou tentando resgatar a memória de poetas com os quais convivi.
Encontrei uns vídeos do Fred Caminha, quem quiser conhecer acesse
o link abaixo.

http://youtu.be/UdCy8IndFrM

domingo, 4 de setembro de 2011

Eu não sou nem um pouco santa. Já julguei sem conhecer. Já olhei para aparência. Já me importei com as roupas, já fiz comentários maldosos. E eu quero que atire a primeira pedra quem é que nunca fez isso. Porque definitivamente estou cansada dessas pessoas hipócritas que falam mal dos “padrões da sociedade” quando na real os seguem rigorosamente.






Tem dias que não há ombro de amigo que me console, não há palavras de conforto que me acalme. Tem dias que eu só quero estar sozinha, no meu canto. Refletir sobre a minha vida e me torturar com os meus pensamentos… Mesmo que eu reclame da solidão, às vezes ela é a única coisa que me mantém longe de mais problemas. (copodeleite


sábado, 3 de setembro de 2011


Desordem
por Samarone Lima

Aqui, na minha desordem
eu fico.

Entrelaço as pernas neste rumo
que as veias deram.

Tracei planos demais,
combati entorpecido
risquei tanto os mapas
que as ruas ficaram escuras
as casas cegas.

Já não há santidade, nem tesouro
nem pedras esquecidas
para colar às lembranças.

Respiro em voz baixa
na esteira de algo submerso
que não sei o nome.

Como o pó intacto sob as águas
como o ruído da manhã
que não sabe de si.

Mas lembro meu nome
plantado na boca de minha mãe
naquela noite.

Ali, eu haveria de ser
de estender um legado,
a febre do combatente novo.

Aqui, na minha desordem,
eu fico.

Ficar, esta forma de seguir
despojando os grãos.


Aurora, 27/07/2011

Do livro A praça azul & Tempo de vidro, a ser publicado em breve pela Editora Paés.

domingo, 21 de agosto de 2011

A LETRA E A VOZ

Conheci pessoalmente hoje a poética de Marco Polo, um dos homenageados no 9º Festival Recifense de Literatura -  A Letra e a Voz, que teve abertura oficial hoje no Teatro Santa Isabel e se estende até o dia 28/08.

PONTO DE LUZ

teu sorriso atravessa
uma ponte de silêncio



TANGO PARA RECIFE

amar esta cidade
pescá-la
em anzol de palavras
deitá-la
na palma da mão

revolvê-la na boca
sorvê-la
detê-la na ponta da língua
bebê-la
em goles de sede

absorvê-la
depois dizê-la
que é o mesmo que sê-la



MARIA CRISTINA

teu cabelo de ouro arrancado
à mina e trazido ao sol
tem cheiro íntimo de terra 




DELICADEZA

levantar com a unha, um sopro
na superfície da água
a pele da lua 



SEM TÍTULO

tal como crianças
brincando de luta
brincar com palavras
a luta mais sã




SEM TÍTULO

cada vez
mais
poesia é
menos 




SEM TÍTULO

o rio envolve a cidade
com seus reflexos nome cheiro
suas escamas seu aquário
seus engastes de água
roça nas casas
sua lua líquida
espaços de silêncio
seu jorro têxtil e carne

ainda intacta
a cidade brota
- caroço bruto -
do centro do fruto