segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Bazar de poesia

Iansã
rima
com Tupã. 
Deus é pan?
 J. Cardias


Quarto de hotel


Na solidão dessa insônia
não conto carneirinhos:
conto estrelas
uma a uma 
expostas feito um quadro
na moldura da janela.


Rogério Salgado (RJ)




CÉU DE CONFEITEIRO
uma fatia de céu
é dada
nesta noite de maio

quinhão que cabe ao homem
que da janela espera

a urbe apita
e o calor
se faz bruma e precipício

uma fatia de céu
é dada
aos amantes da varanda

quinhão que cabe ao amor
em tempos de luas magras

Cida Pedrosa (PE)




Na desordem do quarto
me largo de quatro
abro passagem para os sonhos 
e os homens da minha vida


Entre as quatro paredes do quarto
passa a cor
passa a dor
passa os cheiros
passatempo.
Léa Malta

domingo, 31 de julho de 2011

TERRA MULHER
Terra
Terra
Terra Mulher.
Os frutos respondem à chuva
Em solo que espera o grão
Os filhos respondem ao amor
Em solo de emoção
Amar a terra mulher
Achar a beleza escondida
É amar a terra vida
Descobrir a mulher vida

Heliana Barriga (PA)

sábado, 30 de julho de 2011

VERÃOS 

uma andorinha não faz 
(o que nossos netos) verão 

uma andorinha não faz 
(em bando ou solidão) 
nada do que o homem é capaz 

uma andorinha não faz 
da sua liberdade 
prisão para as demais 


Augusto Garuzzi (SP)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da chegada do amor

De Elisa Lucinda


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.

sábado, 16 de julho de 2011

FESTIVAL DE INVERNO

Não consigo me imaginar congelando debaixo de frio e chuva em busca das badalações do Festival de Inverno em Garanhuns, que segundo os jornais, está abastecida de atividades. Porém, trago notícias frescas...


Olhares sobre Lilith movimenta Sesc Garanhuns

Projeto inspirado na obra de Cida Pedrosa pode ser visitado até o fim de julho

Publicado em 16/07/2011, às 17h45

Do JC Online

O Sesc Garanhuns recebeu, no final da tarde deste sábado (16), a inauguração da videoinstalação Olhares sobre Lilith, que fica em cartaz até o fim de julho e depois segue com o mesmo formato para algumas cidades do Sertão pernambucano, Recife e São Paulo. A sessão de abertura ficou lotada, com a presença de grande parte dos envolvidos no projeto, inclusive a escritora Cida Pedrosa, e de Marcelino Freire, que assinou o prólogo.
Foi montada no Sesc uma sala de exibição dos 26 curtas-metragens que integram o projeto, inspirado no livro de poesias As filhas de Lilith, de Cida. O local vai promover sessões diárias do material audiovisual, das 9h às 21h. O público que for conferir o projeto vai poder interagir com os livros de Cida, que contam com ilustrações da pintora Tereza Costa Rego. Além disso, a autora também se faz presente na sala a partir de um vídeo em que conta suas impressões sobre os vídeos criados em cima de seus poemas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

JORNADA

O meu amado bateu à porta
Sacudiu-me as entranhas
Levantei a abrir-lhe a porta
E acordei com as mãos no vazio.


O meu amado não esperou
Encontrar-me em seu sonho
Saí à procurá-lo e fui ferida
Das minhas vestes arrancadas.


O meu amado bateu à porta
E despida corri a segui-lo
Eis que invade-me pelas narinas
Perfume de lírios, anais-anais.


Onde esconde-se o meu amado?
Pergunto e não encontro respostas
Desfaleço entre as flores
Banhada de suor e lágrimas.


Léa Malta